quarta-feira, 4 de junho de 2008

  • Indiana Jones e o Reino do Tesouro Perdido na Múmia da Lara Croft
(esse texto contém spoilers)

Experimente deixar alguém por 19 anos sem beber água. Isso mesmo, duas décadas com uma gotinha aqui, uma gotinha ali. Depois desse tempo, diga para essa pessoa que no próximo final de semana, haverá uma fonte de água límpida e fresca bem ali, na esquina de casa. Uma água doce e cristalina, igual a última que o indivíduo tomou há 19 anos atrás. Era este o cenário armado, quando eu e o meu amigo McLarry fomos ao cinema na pré-estréia de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal.

Grandes expectativas geram grandes decepções, já dizia eu mesmo depois de ver Homem-Aranha 3. Mas lá foi eu ver com toda a boa vontade do mundo. Não esperava um filme genial, mas esperava muito mais do que George Lucas e Steven Spielberg me ofereceram. A direção de Spielberg é competente como sempre, mas a história tem pontos bem incômodos.
A primeira cena que você vê na tela é um castor-topeira ou coisa que o valha feito em CG, que parece ter saído de alguma animação da Dreamworks, com cara de paspalho entrando em sua toca. Achei aquilo tão bizarro, que perguntei pro meu amigo se o filme já tinha começado ou se ainda era um trailer. Já era o filme do Indy. Aquilo não podia ser bom sinal.

O herói entra em ação logo no início, depois o filme dá uma emperrada. Entra então Mutt Jones, filho do velho Indy. Mas apesar do hype em Hollywood, o rapaz carece de carisma no papel. A partir daí, o filme é uma cópia do gênero. Computação gráfica em demasia, que me fez pensar que se a trilogia fosse feita hoje, a pedra gigante rolando seria em CG, a ponte partindo ao meio seria CG e o poço de cobras seria em CG também. Assim como o ataque das formigas neste filme. Seria possível fazer sem CG? não sei. Sei que pareceu estranho, e que já vimos algo muito parecido em outro filme. Agora, o que foi aquela sequência com os macacos? Constrangedor. Surreal. Forçaram a amizade ao extremo. De longe, muito longe, o pior momento de todos os filmes. Há outros exageros. O que é aquilo de escapar de uma bomba nuclear dentro da geladeira? Nos filmes anteriores Indy empurrava uma parede aqui, puxava uma alavanca ali, um chão abria acolá. Tudo plausível dentro do universo do filme. Nesse uma pirâmide inteira se move pra abrir o buraco por onde eles tem que seguir. No fim, os ETs de InteligênciaArtificial aparecem e uma mega nave-mãe resolve tudo.

Em todos os filmes da trilogia original, o fator místico-mágico-fantasioso não passava de um mero coadjuvante, mas nesse, aparece mais do que o necessário. Mas o roteiro é ruim mesmo, independente do objeto de desejo dos personagens. Cheguei a ler em dois sites que o filme "presta uma homenagem aos filmes B dos anos 50". Parabéns aos filmes B dos anos 50, mas isso não é motivo para qualquer filme ser considerado bom, e Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal não o é. Apenas uns 15 minutos deste estão no mesmo nível dos anteriores. A melhor sequência do filme é a do final, com o velho chapéu do herói. Se não fosse a trilha sonora, não sei o que seria. Resumindo, se você deixar um homem com sede por 19 anos, pode dar água da privada, que ele vai elogiar.

Thomas Cavendish - bebeu no Santo Graal.

Um comentário:

Chica Migraña disse...

Nossa! nao era castor..era uma marmota, uma possivel alusao (!) ao esquilo dramatico, hit do ano passado no youtube! hahahaha.

O filme provou que, nos anos 50, se vc tivesse uma geladeira General Eletric, voce tava salvo de qq coisa!

Mas o que foi a participação da Cate? Eu não entendi. Ela parecia uma tresloucada, uma coisa pré-hippie, coisa de quem pirou lendo Paulo Coelho e foi buscar a saída...

Agora, a cena das formigas... deveria ganhar prêmio de melhor coreografia!

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