segunda-feira, 30 de junho de 2008

Qual é o seu preço?

Segundo a Wikipedia, desertor é um militar que deserta, que abandona as fileiras do exército, o termo é usado frequentemente como um sinônimo de traidor. (passível de prisão e em alguns casos, morte.)

Este fim de semana aconteceu a final da Eurocopa (uma Copa do Mundo só de europeus, pra eles não correrem o risco de serem eliminados por nações subdesenvolvidas). Coincidentemente no mesmo dia fez 50 anos que o Brasil ganhou seu primeiro campeonato mundial na Suécia, em 1958, com Garrincha, Zagallo e Pelé em campo.
O que me chamou atenção na final européia, foi a presença de um brasileiro. Sim, um brasileiro disputando a final da Eurocopa pela seleção da Espanha. Antigamente os jogadores defendiam os times brasileiros e a seleção brasileira. Depois defenderam clubes estrangeiros e esporadicamente a seleção brasileira. Hoje, é leilão. Quem dá mais, leva.

Já me disseram "esse jogador não teve oportunidade, passou fome". Sei, "passar fome" já é cliché no futebol. Todo mundo passou fome. O camarada já jogou no São Caetano, Corinthians, Villareal e ainda precisa mais? Não fez o pé de meia ainda? Para. Jogador de futebol por mais medíocre que seja não ganha menos de cinco dígitos. "Mas a CBF falou que ele não ia jogar na seleção brasileira". Tá, aí o cara fica triste e muda de país? Já viu um argentino mudar de país porque não jogou na seleção? Tem o mesmo número de jogadores onze, o cara não é chamado, fica tristinho e se naturaliza. Será que um espanhol faria o mesmo? se naturaliza pra jogar por outro país só porque não foi chamado pra seleção? Ainda vi gente parabenizando o cara. "ele merece". Merece o que?

Fico imaginando o tal jogador, sendo soldado na Segunda Guerra:

-Soldado 1: E aí, ta vendo alguma coisa lá na frente?

-Soldado 2: Não, cara... to vendo nada... tá tranquilo...vamos...
* baioneta entrando nas costas do soldado 2*

-Soldado 2: Você me feriu? *morrendo*

-Soldado 1: Po cara, o Hitler me ofereceu mais, sabe como é né? Tenho que fazer meu pé de meia, ganhar uma graninha, e a Europa é uma vitrine né...

Zico. Copa de 82 jogando com a camisa rasgada.

Pelé. Coração e suor.


Rivelino. Comemorando.

Thomas Cavendish. É sim, idealista. ps: O outro escriba deste blog discorda da minha opinião.

11 comentários:

Anônimo disse...

Faz tempo que futebol não é questão de honra e prazer. Cada um faz o que lhe for melhor, o que lhe convém, e foda-se o resto. Fodam-se os torcedores que ficam choramingando nas arquibancadas, o dinheiro fala mais alto. Aliás, não sei o porquê da indignação se esse comportamento é típico do ser humano. Não precisa ser um gênio pra perceber.

Nicholas McClary disse...

Na sinceridade a honra se perdeu a tempos. Dinheiro, luxo, vaidade e outras coisas se destacam mais que propriamente a pátria no futebol hoje. Então ele trocar de pátria seria mais uma "bola ruim nisso tudo".
Eu acho que vou poder dizer p/ meu filho que realmente vi a última copa do mundo do Brasil que foi em 2002 porque dali para frente não acredito mais na seleção brasileira.

Sobre "o preço", é a mesma coisa para mim de nego que deixa de jogar com a seleção brasileira p/ ficar no clube da Europa. Seria a mesma coisa que deserdar o país.

Thomas Cavendish disse...

Tanto não é típico do genero humano, que não acontece nas outras seleções, como diz no texto.

Anônimo disse...

Claro que acontece, ou não existem jogadores estrangeiros que jogam em times brasileiros? Pode ser sim que a frequência seja menor e que os estrangeiros prefiram disputar campeonatos importantes (como a Eurocopa), pelos seus países nativos, mas isso não é a regra. Vejo duas explicações pra isso:

1- O Brasil é um grande centro, talvez o maior, produtor de excelentes jogares, que aqui não vêem perspectivas de gigantescos lucros. É óbvio que eles irão para onde tiver a grana. Apesar disso, eles nunca ficam por lá definitivamente, sempre dão uma voltinha por aqui, pra gastar a grana ou pra rever os parentes, ou também pra exibir as namoradas importadas. Pela lógica, haverá muito mais jogares brasileiros espalhados pelo mundo do que o inverso.

2- Os países europeus, ou os que considera-se "patrióticos" pelo rumo do texto, são países que possuem uma distribuição de renda melhor e maior e uma história mais antiga, com um sentimento mais forte de proteção à nação, etc. Isso faz com que os caras de lá não queiram tanto sair do país pra ganhar menos ou igual ao que ganham lá, diferentemente dos brasileiros que ficam milionários. Claro que existem outros fatores condicionantes em questão, mas, ao meu ver, a pergunta mais importante é: onde está a grana?


OBS "Jogador de futebol por mais medíocre que seja não ganha menos de cinco dígitos."

Que tipo de jogar é esse? Deve ser os que você vê pela televisão ou os de seu sonho. Tem muito jogador aí que dá o sangue pelo São Paulo, Palmeiras, etc, que nem 5 milão ganha.

Thomas Cavendish disse...

Distribuição de renda não tem relação direta com conceitos éticos e morais. Se fosse isso um país como a Índia só teria vendidos, bandidos etc, mas não. Lá não se rouba um pneu furado que seja. (ética, moral, sacou?).

PS: Vc sabe o que é um dígito? sabe o que significam cinco dígitos? vai no google e depois reescreve aqui, na boa.

Anônimo disse...

Pode não ter relação direta intensa, mas tem, e mais, não use um exemplo específico que não tem nada a ver com a história pra se justificar, ou justificar sua preguiça de não querer se explicar melhor.

O que eu disse é que baseado nas condições de renda, e pelo padrão social-cultural desenvolvido pela história daqueles país, a evasão de esportistas é menor. Sacou? Não aprofundei até chegar na ética e moral.

Das duas uma, ou você pensou uma coisa e quis dizer outra, quanto aos dígitos, ou você não sabe o que são dígitos. Veja:

Definição de dígito pelo Minidicionário da Língua Portuguesa: s.m. Algarismo de 0 a 9. Não se usa dígito, pelo menos não é nada comum, para citar casas após a vírgula, meu caro, portanto do jeito que vc disse, o cara ganha no mínimo R$9.999,00, o que é muita grana. Pode ser também que vc tenha dito que o cara, por mais médiocre que seja, ganhe mais do que R$ 1,1988, o que eu, sinceramente, não espero que tenha sido a sua intenção.

Thomas Cavendish disse...

O exemplo que eu usei tem total relação com o que você quis dizer, que "distribuição de renda melhor e maior" basta pra alguém não se vender a qualquer preço.

Que um país nessas condições deva ter menos evasão de esportistas é óbvio. Esse não é o mérito da questão. Estou falando de princípios.

Vamos lá. Dígitos. R$ 10.000. Um, dois, três, quatro, cinco. Contou? Cinco dígitos. Procura saber quanto ganha qualquer reserva que jogue primeira divisão. Até mais.

André Bottura disse...

Agora tá ficando mais claro.
O que você quis dizer com seu exemplo foi o seguinte: "Tá, tudo bem, a Índia é pobre e tem uma péssima distribuição de renda, mas pelo menos tem moral e ética, coisa que o Brasil não tem." Mas o que eu quis dizer não foi que BASTAM "distribuição de renda melhor e maior" para que alguém não se venda. Há outros fatores influenciadores, e esse, apesar de ser um dos mais relevantes não é o determinante.


Cara, eu vou procurar mesmo saber o salário dos jogadores, pode deixar.

André Bottura disse...

http://listas.cev.org.br/arquivos/html/cevmkt/2002-02/msg00011.html

Ta aí, lê essa matéria sobre a renda do futebol BRASILEIRO, depois a gente discute mais.

Thomas Cavendish disse...

Eu li. Papai Noel e Coelhinho da Páscoa, que estavam aqui do meu lado, acreditaram piamente. Converse com alguém que trabalhe num clube de futebol (não vale Íbis nem Jabaquara) e depois agente discute mais ;)

André Bottura disse...

Tudo bem, se até aqui quem tem mais subsídio pra afirmar isso com certeza é você, ok, eu também não acreditei muito na matéria. Se você conhece alguém que trabalhe em algum clube que te falou isso, melhor ainda. Mas do jeito que você disse no texto parece uma regra.

Ipatinga, Figueirense, Vitória, e agora?

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